Decreto de emergência em saúde pública no RS expõe falta de planejamento preventivo
O governo do Rio Grande do Sul decretou, na última semana, situação de emergência em saúde pública devido ao aumento das internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Segundo a Secretaria Estadual da Saúde (SES), a medida foi adotada diante do alto número de casos e da sobrecarga nos serviços de emergência, que já enfrentam filas e superlotação.
Este cenário representa um risco elevado à população, especialmente às crianças de até cinco anos — faixa etária cujas hospitalizações quase dobraram na última semana. A Associação Brasileira de Medicina de Emergência - Regional Rio Grande do Sul (Abrameders) compreende a necessidade do decreto, mas alerta que a superlotação das emergências não acontece por acaso, nem de forma repentina. Ela é, antes de tudo, resultado da falta de medidas antecipatórias e da fragilidade da rede básica e hospitalar de saúde.
Doenças respiratórias são sazonais, previsíveis e recorrentes. Portanto, cabe à gestão pública se antecipar, reforçando a rede de atenção básica, ampliando campanhas de vacinação com comunicação efetiva, investindo na prevenção e, principalmente, fortalecendo a rede hospitalar e os serviços de emergência desde os primeiros sinais de aumento de casos. Quando a população não encontra atendimento na rede básica, as emergências acabam sendo a única porta de entrada do sistema, e colapsam.
Como entidade representativa dos médicos que atuam na linha de frente das emergências, a Abrameders se coloca à disposição para colaborar com o poder público, oferecendo embasamento técnico e contribuindo para a construção de respostas eficazes e sustentáveis. Precisamos deixar de atuar apenas reagindo às crises e passar, definitivamente, a fazer planejamento de forma responsável, evitando que a população sofra com a falta de acesso e com o colapso dos serviços de saúde.
Sintomas de pacientes com SRAG
Febre
Calafrios
Dor de garganta
Dor de cabeça
Tosse
Coriza
Distúrbios olfativos ou gustativos
Dispneia/desconforto respiratório
Pressão ou dor persistente no tórax
Saturação de menor ou igual a 94% em ar ambiente
Coloração azulada (cianose) dos lábios ou rosto
